domingo, 12 de setembro de 2010

040 os lugares do mundo

De todos os lugares do mundo com as condições ideais para alcançar o cofre dos enigmas dourados, havia apenas um que as reunia, pelo que foi nessa cidade, classificada de património mundial, que foi travado um combate de uma violência indescritível entre as forças maléficas aliadas de El e os anjos de Le, o omnipotente benfeitor. Pesadas baixas se viriam a dar, transformando almas imortais em meros humanos. Porém um demónio escapou desse destino cruel e fugiu para a dimensão dos vivos com os seus meros vinte e um gramas de peso. 

Almiel era uma simples brisa que se misturava com os infinitos compostos químicos à solta na atmosfera. A sua composição tornava-o especial perigoso pela transformação de oxigénio em monóxido de carbono, algo trivial no planeta a todo o instante e que lhe dava a consistência necessária para se transformar num humano, moldando a seu bel-prazer a carne que lhe revestia os ossos. Em alternativa podia entrar em qualquer corpo mesmo sendo este portador de uma alma incorruptível. A única falha do processo era suportar a esquizofrenia que se instalava no receptáculo depois entrar neste durante um determinado período e que provocava níveis de destruição absurdos de tão elevados. Por isso e como havia sido convocado para a missão final teve que se deslocar para longe do esconderijo do cofre mais bem guardado pelos arqui-rivais celestiais.

Só que um demónio como Almiel jamais se renderia à evidência da espera e submissão ao seu líder todo poderoso. Mais do que qualquer outro tinha a capacidade de destruir tudo o que lhe aparecia à frente, utilizando a tortura como meio mais eficaz para se tranquilizar enquanto tinha que esperar no exílio.

A fuga rumo ao paraíso possível era algo cada vez mais incentivado pela Igreja Católica, tendo-se chegado a um consenso generalizado sobre as origens do mal e a melhor forma de a combater, só que essas conclusões ficaram escondidas da população em geral permitindo o genocídio de raças inteiras e credos em particular. Segundo os líderes de tal Igreja era possível combater o mal, de origem desconhecida, pela força de vontade em acreditar sem que isso significasse vender a alma a qualquer templo equipado com sofisticadas máquinas de lavagem cerebral, mas a forma de ajudar as populações em desespero era pela via da oração, algo perfeitamente inútil na presença de um demónio que se alimentava da degradação natural dos corpos.

Almiel tinha sabedoria suficiente para adiar a sua derrota final através do caos e o sangue voltou a jorrar em abundância, renovando os humanos sobreviventes para o dia do Juízo Final. E como corpo deixa de funcionar sem determinada quantidade de sangue era nesse momento de fraqueza que as almas eram condenadas aos fossos mais profundos do Inferno, pela eternidade.

Numa aldeia remota, com poucos habitantes, deu-se um fenómeno de inolvidável crença na fraqueza do corpo, tornando-o inapelávelmente forte. O seu único sobrevivente recebeu Almiel como hospedeiro incontrolável.

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